Aquele que procura a verdade corre o risco de a encontrar
Quinta-feira, 19 de Agosto de 2004
Não se iludam, os inimigos não perdoam, nem esquecem

alvaro.jpg A política, pela sua inesgotável natureza competitiva, e, mais ainda, pela forma pública que esta competição assume, é um campo de actividades onde proliferam adversários e inimigos. Só não tem adversários, nem cria inimigos, quem é politicamente inofensivo.


Quem tem ambição e luta por seus objectivos, por certo terá adversários, e, talvez, ao longo da carreira, vá adquirir inimigos É absolutamente vital saber distinguir: inimigo não é o mesmo que adversário.


O adversário contenta-se em derrotá-lo, o inimigo só encontra paz destruindo-o, dos adversários não é preciso gastar tempo para analisá-los.


São participantes do jogo da política, competidores, por vezes duros e até desleais, mas o que desejam é vencer a eleição, ocupar o cargo. Não os move um ódio pessoal, nem um desejo de destruição que são característicos dos inimigos, como por vezes acontece em Alenquer.


Mas dos inimigos sempre há muito que falar e sempre há mais para aprender. Inimigos podem-se criar na vida pessoal e transferir-se também para a política, como podem surgir da actividade política em si mesma. Não importa a origem.


Se for inimigo, o sentimento contra nós é o mesmo, infelizmente, existe em Alenquer algumas pessoas, que se esquecem de que na política são adversários e não inimigos e que em muitos casos, jogam claramente sujo.


Ao transferir-se para o mundo da política inimizade por A ou B, ela, entretanto “mascara-se” de motivos nobres e elevados, para se justificar perante a opinião pública. Assim, a inimizade pessoal, quando actua na política, assume convenientemente a forma de um conflito político.


É preciso saber distinguir com clareza entre hostilidade política de inimizade pessoal travestida com argumentos políticos. O pior que pode suceder é tratar um inimigo como se fosse um adversário, pela incapacidade de distinguir a razão da inimizade.


É muito difícil lidar com uma situação como essa. Não interessa tentar desmascarar os inimigos, mostrando às outras pessoas que a razão da hostilidade não é política e sim pessoal, assim, não resta outra alternativa senão a de tratar politicamente o conflito, embora saiba que sua razão é pessoal.


Ter que lidar com um conflito irremissível, cuja razão é pessoal, “fazendo de conta” que é um conflito político, é muito exas-perante, psicologicamente oneroso, e estrategicamente complicado. A cada crítica que sofremos, saberemos descodificar todos os significados implícitos, todos os sentimentos que a animaram, e que não sendo dos outros conhecidos, parecerão meras críticas políticas.


Viveremos permanentemente a sensação de sermos vigiados, perseguidos, acusados, sabendo que diante do menor erro que cometermos, o nosso inimigo, estará pronto para explorá-lo de forma impiedosa.


Teremos sempre que conviver com a plena consciência de que o nosso inimigo, para fazer-nos mal, é capaz de agir contra o seu próprio interesse pessoal e político. Se for verdadeiramente um inimigo duro e irreconciliável, cujas razões são de ordem pessoal, pouco ou nada tem a perder - o seu objectivo é destruir-nos.


Adversários, talvez pudéssemos tentar mudá-los e até fazê-los novos amigos, principalmente se os formos procurar na hora em que somos vitoriosos e que eles foram derrotados. Inimigos nunca. Inimigos não se tentam mudar.


A melhor política para com eles é mantê-los à distância, e vigiá-los. Saber sempre onde estão, com quem se encontram, o que dizem, em quem confiam, e, se possível, quais os seus planos.


E não se esqueça: os inimigos nunca esquecem. Acima de tudo, não caia no engodo de tentar mudar seus inimigos, se são verdadeiros inimigos, interpretarão o seu gesto como fraqueza, como revelador do medo que tem deles.


Poderão fingir que aceitam a aproximação para conhecer melhor seus pontos fracos, seus segredos, suas carências, para atacá-lo, no momento em que estiver mais vulnerável.



publicado por Carlos José Ferreira às 15:02
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